Abstract:
Objetivo: Esta pesquisa teve como objetivo analisar a construção dos discursos nas
representações sociais voltadas ao controle social da gestão das Caixas Escolares vinculadas às
escolas da Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais.
Teoria: Os estudos foram ancorados na teoria democrática, em especial na democracia radical
e na democracia participativa, a partir, principalmente, dos estudos de Marques (2008), Santos
(2002) e Mouffe (2003).
Método: A análise foi conduzida pela ótica da análise crítica dos discursos produzidos através
da regulamentação das Caixas Escolares pelo Governo do estado de Minas Gerais e de
entrevistas com pessoas envolvidas no cotidiano das atividades atribuídas às mesmas. Adotou se o método tridimensional de análise, proposto por Fairclough (2016). Metodologicamente, os
corpora foram separados em três tidos de corpus: i) a legislação que regulamenta as Caixas
Escolares; ii) as entrevistas realizadas com pessoas envolvidas nas atividades das Caixas
Escolares e iii) apontamentos realizados durante observação não participante em cinco Caixas
Escolares. No texto, foram descritos elementos temáticos obtidos por meio da lexicalização dos
corpora com utilização do software Iramuteq e referenciação dos temas através da
categorização com auxílio de planilha eletrônica. Nas práticas discursivas foram caracterizados
os processos de produção, distribuição e consumo dos discursos atrelados à regulamentação das
Caixas Escolares pelo Governo do estado de Minas Gerais. Quanto à prática social, foram
investigadas as bases ideológicas e hegemônicas que sustentam os discursos analisados.
Resultados: Os resultados evidenciaram que a representação social nas Caixas Escolares não
se apresenta de forma democrática.
Contribuições teóricas ou metodológicas: Este estudo dá continuidade ao aprendizado sobre
as sutilezas sociais que, segundo Dacombe (2021), influenciam a efetiva participação dos
cidadãos no contexto da democracia participativa proposta por Santos (2002).
Contribuições gerenciais e sociais: Indica caminhos para elevar a participação dos cidadãos,
limitando os espaços para desvios das políticas públicas adotadas em relação às demandas
sociais envolvidas, além de levantar pontos relevantes de reflexão e de aplicação quanto à
gestão organizacional das Caixas Escolares.