Abstract:
Objetivo: Analisar se o “trabalho sujo” associado à ocupação das Auxiliares de Serviços da
Educação Básica (ASBs) pode invisibilizá-las e viabilizar a ocorrência do assédio moral
contra estas profissionais nas Escolas Públicas Estaduais na cidade de Betim.
Teorias: Os dados foram coletados por meio de entrevistas realizadas e guiadas com base em
um roteiro semiestruturado, gravadas, transcritas e submetidas à técnica de Análise Crítica do
Discurso à luz das teorias do Trabalho Sujo (Dirty Work), Estigmas, Invisibilidade Social e
Assédio Moral.
Método: O caminho metodológico adotado para o atingimento do objetivo de pesquisa
proposto, se deu a partir de um estudo de caso, qualitativo, logo, trata-se de uma pesquisa
social, descritiva e de abordagem qualitativa. Os sujeitos depesquisa foram 18 ASBs da Rede
Estadual de Ensino do Município de Betim no Estado de Minas Gerais. A coleta de dados
aconteceu por meio de entrevistas semiestruturadas e os dados submetidos à Análise Crítica
do Discurso.
Resultados: A pesquisa revela que a carência de informações e a ausência de canais formais
para denúncias contribuem para a incidência de assédio moral e outras violências presentes
no ambiente escolar das escolas públicas estaduais, no qual, o medo e a invisibilidade
socioprofissional das ASBs se dão pela falta de reconhecimento do seu papel, essencial na
criação de um ambiente escolar confortável, resultando em insegurança e silenciamento. A
pesquisa confirma que as Auxiliares de Serviços de Educação Básica (ASBs) enfrentam
estigmatização e desvalorização profissional, devido à associação da função que exercem ao
"trabalho sujo". Revela como essa percepção negativa impacta a valorização e o
reconhecimento dessas profissionais, que lidam com tarefas frequentemente desconsideradas,
como limpeza e cuidados com o ambiente escolar.
Contribuições teórico-metodológicas: A pesquisa detecta a ausência de mecanismos
eficazes para denúncia e intervenção em casos de violência no ambiente escolar, por meio do
relato das entrevistadas que se valem de um discurso religioso hegemônico para justificar,
não só a posição social que ocupam, mas a razão da violência sofrida e os motivos do agressor
para tais ações.
Contribuições pragmáticas e organizacionais: aponta a importância de estudos aprofundados
sobre a vulnerabilidade das ASBs ao assédio moral e outras violências no ambiente escolar,
uma ampliação geográfica das investigações e propõe uma abordagem etnográfica que permita
uma observação mais participativa e eficaz no contexto de trabalho dos sujeitos analisados.
Sinaliza a viabilidade de futuras pesquisas que abordem a invisibilidade no contexto laboral,
com ênfase nas questões de gênero e práticas inclusivas na gestão escolar, visto que, esses temas
emergiram durante a pesquisa, mas não foram explorados devido ao seu escopo limitado e ao
propósito de estimular debates sobre a gestão de riscos do assédio moral e as invisibilidades no
ambiente de trabalho, especialmente relacionadas ao "trabalho sujo" da função de ASB.
Contribuições sociais: a investigação aponta para a implementação de orientações práticas
que estabeleçam canais de denúncia mais acessíveis e compreensíveis, garantindo a
neutralidade e o respeito necessários para apoiar os profissionais que enfrentam dificuldades
nesse processo. Outrossim, contribui para a conscientização de profissionais e da comunidade
escolar sobre as particularidades de um setor importante, mas frequentemente estigmatizado
e invisível e reforça a necessidade de políticas públicas educacionais que promovam um
ambiente saudável e acolhedor.