Abstract:
Objetivo:Analisar de que maneira a lógica de gestão, fundamentada no contexto gerencialista
neoliberal, impacta os aspectos do trabalho de gestores(as) escolares em escolas estaduais de
Minas Gerais, a partir da Análise Crítica do Discurso, de diretores(as) e vice-diretores(as),
promovendo uma cultura de gestão como adoecimento social e contribuindo para a
configuração de uma sociedade do cansaço.
Teorias: A pesquisa aborda a análise crítica do discurso de gestores escolares, utilizando as
teorias de Han (2015) sobre a sociedade do cansaço, Gaulejac (2007) sobre gestão como
adoecimento social. Essas teorias fornecem uma base para compreender como práticas de
gestão gerencialistas e neoliberais afetam a saúde física, mental e o bem-estar dos gestores
escolares, normalizando o cansaço e a exaustão como parte da rotina.
Método: A pesquisa é de natureza qualitativa, com enfoque descritivo. Os sujeitos foram 20
diretores(as) e vice-diretores(as) de escolas estaduais de Minas Gerais, , e a coleta de dados
ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas. Os dados foram submetidos à Análise
Crítica do Discurso (Faircloug, 1989) para identificar as narrativas sobre o impacto do modelo
de gestão.
Resultados: A pesquisa revelou que os gestores escolares enfrentam desafios significativos
devido à lógica gerencialista e neoliberal, que impõe pressões por resultados e desconsidera
suas necessidades emocionais e físicas. Dezessete dos vinte entrevistados relatou experiências
de estresse e esgotamento, evidenciando a normalização do cansaço como parte do trabalho.
Além disso, a pesquisa destacou a falta de suporte institucional e a necessidade urgente de
reestruturação das práticas de gestão, visando à promoção do bem-estar dos profissionais.
Contribuições teórico-metodológicas: Este estudo avança na compreensão da gestão escolar
ao integrar teorias contemporâneas sobre adoecimento social e a sociedade do cansaço,
elucidando como essas dinâmicas impactam os gestores. A pesquisa propõe uma reflexão
crítica sobre as práticas gerenciais e sugere que o conceito de gestão escolar inclua uma
perspectiva mais humana, que valorize a saúde e o bem-estar dos profissionais.
Contribuições organizacionais: A pesquisa identifica a urgência de reavaliar as políticas de
gestão escolar, recomendando a implementação de práticas que promovam um ambiente de
trabalho saudável. Sugere a criação de programas de suporte aos gestores, incluindo
treinamento em gestão do estresse e comunicação assertiva, além de campanhas educativas
sobre a importância do autocuidado e do bem-estar no ambiente escolar.
Contribuições sociais: As implicações sociais desta pesquisa abrangem a conscientização
sobre o impacto das práticas gerenciais na saúde dos gestores escolares e na qualidade da
educação. A pesquisa defende a importância de um ambiente escolar que priorize a saúde
mental, visando melhorar a dinâmica interna e a reputação das instituições, promovendo uma
educação de qualidade e contribuindo para o desenvolvimento social das comunidades
atendidas.