Abstract:
Aderência à linha de pesquisa: esta dissertação faz parte da linha de pesquisa Relações de
Poder e Dinâmica das Organizações, abordando a temática do prazer e sofrimento no trabalho
como forma de enriquecer as discussões pertinentes às dinâmicas das organizações,
considerando a relação entre todos os agentes sociais envolvidos.
Objetivo: analisar as fontes de prazer e sofrimento no trabalho de profissionais que ocupam o
cargo de Especialista em Educação Básica nas escolas estaduais de Minas Gerais.
Teoria: foi usada a Teoria Psicodinâmica do Trabalho, que explora as interações entre os
sujeitos trabalhadores e a realidade do trabalho, destacando as dimensões de construção e
reconstrução dessas relações.
Método: foi conduzida uma pesquisa qualitativa, do tipo descritivo, tendo como método o
estudo de caso. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas com 12
profissionais que ocupam o cargo de Especialista em Educação Básica em escolas estaduais de
Minas Gerais. Os dados foram analisados a partir da anáise de conteúdo, por meio das
categorias “Valorização pelos pares e pela gestão”, “Contribuição para o desenvolvimento dos
alunos”, “Excesso de tarefas administrativas”, “Escassez de recursos humanos”, “Efetivo,
temporário, precarização”, “Insatisfação com o salário”, “Aspectos relacionados ao cargo”,
“Falta de clareza nas atribuições”, “Pressões da SEE/MG, direção escolar, comunidade,
políticas”, “Planejamento e organização”, “Trabalho em equipe”, “Busca de apoio entre pares”
e suas respectivas subcategorias: “São pessoas que fazem parte da vida da gente”,“Apagando
incêndios”, “Os desafios são imensos e os recursos a gente não tem”, “Foi mais ou menos assim
que eu cheguei ao cargo de Especialista”, “Será que sou boa, mesmo?”, “Eu comecei a ter
pânico de ir para a escola. Comecei a não querer ir”, “A gente é basicamente o padre da
paróquia”, “Silêncio não tem neutralidade. Silêncio tem lado” e “Se a gente não tiver amigo,
não vai conseguir.”
Resultados: a pesquisa destacou a complexidade do trabalho dos Especialistas em Educação
Básica, evidenciando a tensão entre prazer e sofrimento no cotidiano desses profissionais.
Apesar de enfrentarem sobrecarga de tarefas, desvalorização e falta de autonomia, eles
demonstram resiliência e encontram satisfação no impacto positivo de seu trabalho e nos
vínculos com os estudantes. A predominância feminina no cargo suscitou reflexões sobre a
segregação de gênero e a urgência de políticas de valorização. Os resultados apontam que
melhorar as condições de trabalho, com mais reconhecimento, autonomia e apoio, é essencial
para transformar as adversidades em oportunidades de crescimento, fortalecendo o papel
transformador desses educadores.
Contribuições teórico-metodológicas: o estudo da coordenação pedagógica com atuação em
escola de Educação Básica é pouco explorado na área, o recorte de fazê-lo com Especialista em
Educação Básica é ainda menos explorado; o estudo reforça o uso da teoria da Psicodinâmica
do Trabalho como ferramenta para analisar a relação dialética entre prazer e sofrimento no
trabalho; a aplicação dos conceitos dessa teoria orientou a elaboração da entrevista, permitindo
a articulação entre conceitos abstratos e dados empíricos; evidência do impacto da organização
do trabalho no serviço público na experiência de prazer-sofrimento laboral; recorte de gênero
como camada importante do estudo associado à segregação ocupacional; exposição de como a
indefinição de papéis e o acúmulo de funções administrativas impacta o pleno desenvolvimento
do Especialista em Educação Básica no trabalho; e o estudo confirma a importância do
reconhecimento simbólico e financeiro no fortalecimento da motivação e na ressignificação do
sofrimento no trabalho.
Contribuições pragmáticas e organizacionais: apresentam conclusões para as Secretarias de
Educação, em todas as instâncias, atentarem-se ao papel dos coordenadores pedagógicos e
fornecem subsídios para que gestores e formuladores de políticas públicas repensem estratégias
para a valorização e fortalecimento desses profissionais, minimizando aspectos de sofrimento
revelados na pesquisa. No entanto, os Especialistas em Educação Básica podem refletir sobre
as vivências de sofrimento e criar estratégias defensivas para tornar a experiência no trabalho
prazerosa.
Contribuições sociais: as implicações sociais desta pesquisa destacam a relevância do Ensino
Básico como espaço inicial de socialização e a necessidade de aprimorar a gestão escolar
pública. Além disso, revela fatores do trabalho que afetam a saúde mental de educadores,
possibilitando intervenções que promovam um ambiente mais saudável e produtivo. Ao expor
desigualdades e desafios enfrentados por diferentes escolas estaduais, a pesquisa contribui para
a formulação de políticas educacionais voltadas à equidade, beneficiando a qualidade da
educação e o desenvolvimento social e educacional dos estudantes.